Alimentação adequada
Gatos são carnívoros estritos, ou seja, precisam de proteína animal para viver bem. Diferentemente dos cães, não conseguem produzir sozinhos nutrientes essenciais como a taurina, cuja falta causa problemas graves no coração e na visão. Por isso, a base da dieta deve ser uma ração de alta qualidade, específica para gatos e adequada à fase da vida: filhote, adulto, idoso ou castrado.
Rações para gatos castrados costumam ter menos calorias e mais fibras, o que ajuda a controlar o peso. A obesidade felina é muito comum e aumenta o risco de diabetes, problemas articulares e doenças urinárias. Controle as porções conforme a orientação da embalagem e do veterinário, e evite oferecer comida humana.
Alguns alimentos são tóxicos para gatos: cebola, alho, chocolate, uva, uva-passa, café, álcool e leite de vaca em excesso. Muitos gatos adultos têm intolerância à lactose, e o leite pode causar diarreia. Também nunca ofereça carne crua sem orientação profissional, pois há risco de contaminação por bactérias e parasitas, como a toxoplasmose.
Hidratação
Gatos têm um instinto de sede pouco desenvolvido, herdado de ancestrais do deserto, e por isso bebem menos água do que deveriam. A baixa ingestão de líquidos está ligada a cálculos urinários e doença renal crônica, problemas frequentes na espécie.
Para estimular o consumo, deixe vários potes de água espalhados pela casa, longe da caixa de areia e da comida. Muitos gatos preferem água corrente, e as fontinhas elétricas fazem sucesso. Potes de cerâmica, vidro ou aço inox são mais higiênicos que os de plástico. Incluir alimentos úmidos, como sachês, na rotina também ajuda a aumentar a ingestão de água.
A caixa de areia
A higiene do gato começa na caixa de areia, e problemas nela estão entre as principais causas de comportamento inadequado. A regra geral é ter uma caixa por gato, mais uma extra. Posicione-a em local calmo, de fácil acesso e longe dos potes de comida.
Retire os resíduos pelo menos uma vez ao dia e troque a areia por completo com a frequência indicada pelo fabricante, lavando a caixa com água e sabão neutro. Evite produtos de limpeza com cheiro forte, pois o olfato do gato é muito sensível. Se ele passar a fazer as necessidades fora da caixa, não o puna: o motivo pode ser estresse, desconforto com a areia ou uma doença, como infecção urinária, e vale uma consulta veterinária.
Vacinação e vermifugação
A vacina múltipla felina, conhecida como V3, V4 ou V5, protege contra panleucopenia, rinotraqueíte, calicivirose e, nas versões mais completas, clamidiose e leucemia felina (FeLV). A primeira dose costuma ser aplicada com cerca de oito semanas de vida, com reforços a cada três ou quatro semanas até completar o esquema inicial. Depois, os reforços são anuais.
A vacina antirrábica também é recomendada e obrigatória em muitos lugares. Mesmo gatos que vivem apenas dentro de casa devem ser vacinados, pois os vírus podem ser trazidos nas roupas e nos sapatos.
Vermes intestinais afetam principalmente os filhotes, mas atingem gatos de todas as idades. A vermifugação deve seguir orientação veterinária, geralmente a cada três a seis meses. O controle de pulgas também é essencial, pois elas transmitem vermes e causam alergias e anemia. Escolha apenas produtos próprios para gatos: alguns antiparasitários de cães, como os que contêm permetrina, são extremamente tóxicos para felinos.
Castração
A castração previne doenças como tumores mamários e infecções uterinas nas fêmeas, além de reduzir a marcação de território com urina, as brigas e as fugas dos machos. Também diminui o risco de contrair doenças transmitidas em brigas, como FIV e FeLV. A cirurgia costuma ser indicada a partir dos seis meses, mas o momento ideal deve ser definido com o veterinário.
Depois da castração, o metabolismo fica mais lento e o gato tende a ganhar peso. Ajuste a alimentação e incentive as brincadeiras para manter a forma.
Enriquecimento ambiental
Gatos são predadores naturais e precisam exercitar seus instintos. Um ambiente sem estímulos leva ao tédio, ao estresse e a problemas como obesidade, agressividade e arranhar móveis. O enriquecimento ambiental é a solução.
Gatos adoram lugares altos, pois se sentem seguros observando tudo de cima. Prateleiras, nichos e árvores para gatos oferecem esse espaço. Arranhadores são indispensáveis, já que arranhar é um comportamento natural para esticar os músculos, afiar as garras e marcar território. Ofereça arranhadores verticais e horizontais e posicione-os em locais onde o gato passa tempo.
Esconderijos, como caixas de papelão e casinhas, ajudam o gato a relaxar. Brincadeiras diárias com varinhas, bolinhas e brinquedos que imitam presas simulam a caça e gastam energia. Dedicar de quinze a trinta minutos por dia a essas atividades já faz grande diferença. Comedouros interativos e tapetes de farejar também estimulam a mente, pois obrigam o gato a "caçar" o alimento.
Segurança dentro de casa
A segurança do gato começa nas janelas. Gatos caem de prédios com frequência, e esse acidente é tão comum que tem até nome: síndrome do gato paraquedista. Instale telas de proteção em todas as janelas e varandas, mesmo que o gato pareça cuidadoso.
Outros riscos domésticos incluem fios elétricos, linhas e barbantes, que podem ser engolidos e causar obstruções intestinais. Mantenha produtos de limpeza e remédios fora do alcance. Algumas plantas são extremamente tóxicas, principalmente o lírio, que pode causar insuficiência renal aguda mesmo em pequenas quantidades. Comigo-ninguém-pode, azaleia e espada-de-são-jorge também são perigosas.
Muitos tutores se perguntam se devem deixar o gato sair. Gatos que vivem apenas dentro de casa, com ambiente enriquecido, tendem a viver mais, pois ficam protegidos de atropelamentos, brigas, envenenamentos, maus-tratos e doenças infecciosas. Se quiser oferecer um pouco de ar livre, uma coleira com peitoral e guia ou uma área telada, conhecida como catio, são alternativas seguras.
Higiene e pelagem
Os gatos passam grande parte do dia se lambendo e são muito limpos, por isso raramente precisam de banho. Banhos só são indicados em situações específicas, como sujeira excessiva ou orientação veterinária, e sempre com produtos próprios para a espécie.
A escovação regular, porém, é importante. Ela remove pelos mortos, reduz a formação de bolas de pelo no estômago e fortalece o vínculo entre o tutor e o gato. Gatos de pelo longo, como persa e maine coon, precisam de escovação diária, enquanto os de pelo curto podem ser escovados uma ou duas vezes por semana.
Corte as unhas quando estiverem muito longas, com alicate próprio, tomando cuidado para não atingir a parte rosada, onde há vasos sanguíneos. Limpe as orelhas apenas se necessário e com produtos veterinários. Escovar os dentes com pasta específica para gatos previne tártaro e doenças da gengiva, muito comuns na espécie.
Linguagem corporal e comunicação
Entender o gato é fundamental para uma boa convivência. O rabo erguido com a ponta levemente curvada indica confiança e alegria. Já o rabo eriçado e as orelhas para trás sinalizam medo ou irritação. A piscada lenta, conhecida como "beijinho de gato", é uma demonstração de confiança e carinho, e você pode retribuir piscando devagar também.
O ronronar geralmente indica contentamento, mas também pode ocorrer quando o gato está com dor ou estressado, como forma de se acalmar. As "amassadinhas" com as patas lembram o gesto que os filhotes fazem na mãe durante a amamentação e costumam ser sinal de conforto. Quando o gato esfrega a cabeça em você ou nos móveis, está depositando seu cheiro e marcando o território como seguro.
Os miados são, em grande parte, uma forma de comunicação direcionada aos humanos, já que gatos adultos quase não miam entre si. Mudanças repentinas na frequência ou no tom dos miados podem indicar dor, fome, estresse ou problemas de saúde.
Sinais de doença
Gatos são mestres em esconder a dor e o desconforto, instinto herdado da natureza, onde demonstrar fraqueza significa risco. Por isso, o tutor precisa observar mudanças sutis na rotina.
Procure o veterinário se notar perda de apetite por mais de um dia, vômitos frequentes, diarreia, aumento ou diminuição da ingestão de água, perda de peso, esconder-se muito, mudanças no uso da caixa de areia, respiração ofegante ou pelagem sem brilho. Esforço para urinar, principalmente em machos, é emergência: pode indicar obstrução urinária, que pode levar à morte em poucas horas.
Nunca medique o gato por conta própria. Remédios humanos, como paracetamol e dipirona, são extremamente tóxicos para felinos. Consultas anuais, com exames de sangue e avaliação geral, ajudam a detectar doenças antes que causem sintomas graves.
Adaptação de novos gatos e convivência
Ao levar um gato novo para casa, reserve um cômodo tranquilo com caixa de areia, água, comida, cama e esconderijos. Deixe que ele explore o novo ambiente no seu ritmo, pois gatos são sensíveis a mudanças.
Para apresentar um gato novo a outro já residente, faça a introdução de forma gradual. Comece trocando objetos com o cheiro de cada um, depois permita o contato visual por uma porta entreaberta ou uma tela, e só então promova encontros supervisionados. Esse processo pode levar dias ou semanas. Forçar o contato pode gerar brigas e estresse duradouro.
A convivência com crianças e outros animais também exige orientação. Ensine as crianças a respeitar o espaço do gato, a não puxar o rabo e a deixá-lo em paz quando ele se afastar.
Cuidados com gatos idosos
A partir dos sete anos, o gato começa a entrar na maturidade, e após os dez já é considerado idoso. Doenças como insuficiência renal, hipertireoidismo, diabetes, artrose e problemas dentários se tornam mais frequentes. Por isso, consultas a cada seis meses são recomendadas.
Adapte a casa para facilitar a vida do gato: use caixas de areia com bordas baixas, coloque degraus ou rampas para acessar lugares altos e mantenha água, comida e cama em locais de fácil acesso. Rações para idosos e suplementos articulares podem ajudar, sempre com orientação veterinária. Mantenha as brincadeiras, ainda que mais leves, e dê muito carinho e paciência nessa fase tão especial.


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