Cuidados com o seu cachorro

Alimentação adequada

A base da saúde de um cachorro é a alimentação. Escolha uma ração de qualidade, adequada ao porte, à idade e às necessidades do animal. Filhotes precisam de rações específicas, com mais proteínas e nutrientes para o crescimento. Adultos pedem uma dieta equilibrada para manter o peso, e idosos costumam se beneficiar de fórmulas com menos calorias e suporte às articulações.

Defina horários fixos para as refeições. Filhotes de até quatro meses comem de três a quatro vezes ao dia. A partir dos seis meses, duas refeições costumam bastar. Evite deixar o pote de comida disponível o dia todo, pois isso favorece a obesidade, um dos problemas mais comuns e mais subestimados entre os cães.

Nunca ofereça alimentos tóxicos. Chocolate, uva, uva-passa, cebola, alho, abacate, macadâmia, café, álcool e alimentos com xilitol (um adoçante presente em balas e gomas sem açúcar) podem causar intoxicações graves. Ossos cozidos também são perigosos, porque lascam e podem perfurar o estômago ou o intestino. Petiscos e sobras de comida humana devem ser raros, e os petiscos não devem passar de cerca de 10% das calorias diárias.

Água fresca sempre disponível

Seu cachorro precisa de água limpa e fresca o dia inteiro. Troque a água pelo menos duas vezes ao dia e lave o recipiente com frequência, já que o acúmulo de resíduos favorece bactérias. Em dias quentes, ou depois de passeios e brincadeiras, o consumo aumenta bastante. Se o animal beber muito mais água que o normal ou deixar de beber, procure um veterinário, pois ambos os casos podem indicar doenças como diabetes, problemas renais ou infecções.

Vacinação em dia

As vacinas protegem contra doenças graves e muitas vezes fatais, como cinomose, parvovirose, hepatite infecciosa, leptospirose e raiva. O protocolo costuma começar entre seis e oito semanas de vida, com doses de reforço a cada três ou quatro semanas até completar o esquema inicial. Depois, os reforços são anuais, conforme orientação do veterinário.

A vacina antirrábica é obrigatória em diversos locais e deve ser aplicada anualmente. Também existem vacinas complementares, como a da tosse dos canis e a contra giardíase e leishmaniose, recomendadas conforme o estilo de vida do cão e a região onde ele vive. Guarde a carteirinha de vacinação em local seguro, pois ela será exigida em hotéis para pets, creches e viagens.

Controle de vermes

Vermes intestinais afetam o crescimento, a absorção de nutrientes e a disposição do animal, e alguns podem ser transmitidos aos humanos. Filhotes devem ser vermifugados já nas primeiras semanas de vida, com repetições periódicas. Cães adultos geralmente recebem o vermífugo a cada três ou seis meses, dependendo do risco de exposição. Use apenas medicamentos indicados por um profissional, com a dose calculada de acordo com o peso.

Pulgas e carrapatos

Pulgas e carrapatos causam coceira, anemia, alergias e transmitem doenças sérias, como a erliquiose e a babesiose. A prevenção é mais simples e barata que o tratamento. Existem comprimidos mastigáveis, pipetas de aplicação na pele e coleiras antiparasitárias, e a escolha deve ser feita junto com o veterinário.

Após passeios em locais com mato ou grama alta, passe a mão pelo corpo do cachorro, prestando atenção em orelhas, axilas, virilhas e entre os dedos. Se encontrar um carrapato, retire-o com cuidado, sem esmagá-lo. Trate também o ambiente: lave caminhas e cobertores com frequência e mantenha o quintal limpo e aparado.

Higiene e banho

A frequência do banho depende da raça, do tipo de pelo e do estilo de vida. Em geral, banhos a cada quinze dias ou uma vez por mês são suficientes para a maioria dos cães. Banhos em excesso removem a oleosidade natural da pele e podem causar ressecamento e irritação. Use sempre shampoo específico para cães, já que o pH da pele deles é diferente do nosso.

Seque bem o animal depois do banho, principalmente nas dobras da pele e dentro das orelhas, para evitar fungos. A escovação regular elimina pelos mortos, reduz nós e permite perceber feridas, caroços ou parasitas. Raças de pelo longo precisam de escovação diária ou quase diária, enquanto as de pelo curto toleram escovações semanais.

As unhas também precisam de atenção. Se estiverem muito longas, alteram a postura e podem causar dor ao andar. Quando você ouvir o barulho delas no piso, é hora de cortar. As orelhas devem ser limpas com produtos apropriados, e qualquer sinal de odor forte, secreção escura ou balançar constante de cabeça merece avaliação veterinária.

Saúde bucal

Mais de oitenta por cento dos cães com mais de três anos têm algum grau de doença periodontal. O acúmulo de tártaro causa mau hálito, inflamação nas gengivas, perda de dentes e pode até afetar coração e rins, pois as bactérias caem na corrente sanguínea. O ideal é escovar os dentes do cachorro diariamente, com escova e pasta próprias para cães. Pasta de dente humana nunca deve ser usada, pois contém substâncias tóxicas para eles.

Se a escovação for difícil, existem petiscos dentais, brinquedos de roer apropriados e géis que ajudam a reduzir a placa. Eles não substituem a escovação, mas colaboram. Limpezas profissionais com anestesia podem ser necessárias de tempos em tempos.

Exercício físico e estímulo mental

Cães precisam gastar energia. A quantidade varia muito: raças de trabalho e pastoreio, como border collie e pastor-alemão, exigem bastante atividade, enquanto raças braquicefálicas, como pug e bulldog, tolerem menos esforço e sofrem facilmente com o calor. Em média, a maioria dos cães precisa de pelo menos trinta a sessenta minutos de atividade por dia, divididos em passeios e brincadeiras.

Além do corpo, a mente também precisa de estímulo. Brinquedos recheáveis, tapetes de farejar, jogos de esconder petiscos e treinos de truques ajudam a evitar o tédio. Um cachorro entediado e sem gasto de energia costuma desenvolver comportamentos destrutivos, como roer móveis, cavar o jardim ou latir excessivamente.

Adestramento e socialização

A fase de socialização do filhote vai, aproximadamente, das três às catorze semanas de vida. Nesse período, é importante apresentá-lo, com segurança, a pessoas, sons, superfícies, outros animais e ambientes diferentes. Cães bem socializados tendem a ser mais tranquilos e menos medrosos na vida adulta.

O adestramento deve ser feito com reforço positivo: recompensar o comportamento desejado com petiscos, carinho ou brincadeiras. Punições físicas e gritos geram medo e ansiedade, prejudicam o vínculo e raramente resolvem o problema. Comandos básicos, como sentar, deitar, ficar e vir, ajudam na segurança do dia a dia, principalmente em passeios.

Calor, frio e abrigo

O cachorro precisa de um abrigo protegido do sol, da chuva e do vento, com piso seco e confortável. Em dias quentes, ofereça sombra e água em abundância, e evite passeios nos horários de sol forte, entre dez e dezesseis horas. O asfalto quente pode queimar as patinhas: encoste as costas da mão no chão por alguns segundos, e, se estiver desconfortável para você, estará para ele.

Nunca deixe o cachorro dentro de um carro fechado, mesmo com as janelas entreabertas e por poucos minutos. A temperatura interna sobe rapidamente e pode causar morte por hipertermia. Sinais de golpe de calor incluem respiração muito ofegante, salivação excessiva, língua muito vermelha, vômito e fraqueza, e exigem atendimento de emergência.

No frio, cães de pelo curto, filhotes, idosos e raças pequenas podem precisar de roupinhas e cobertores extras. Mesmo cães de pelo denso devem ter um local aquecido para dormir.

Consultas veterinárias regulares

Leve o cachorro ao veterinário pelo menos uma vez por ano, mesmo que ele pareça saudável. Check-ups com exames de sangue permitem identificar doenças em fase inicial, quando o tratamento é mais eficaz. Cães idosos, a partir dos sete anos, devem ser avaliados a cada seis meses.

Fique atento a sinais de alerta: perda de apetite, vômitos ou diarreia persistentes, apatia, mudança de comportamento, mancar, tosse, coceira intensa, feridas que não cicatrizam, aumento de volume em alguma região do corpo e alterações na urina. Não medique o animal por conta própria. Remédios humanos, como paracetamol, dipirona e ibuprofeno, podem ser fatais para os cães.

Castração e saúde reprodutiva

A castração previne doenças como piometra, tumores mamários e problemas de próstata, além de reduzir comportamentos como marcação de território e fugas em busca de fêmeas no cio. O momento ideal varia conforme a raça e o porte, e deve ser definido junto ao veterinário. Também ajuda a combater o abandono e o excesso de animais nas ruas.

Identificação e segurança

Use sempre coleira com plaquinha de identificação contendo nome do animal e telefone de contato. O microchip é um recurso permanente que aumenta muito as chances de reencontrar um cão perdido. Em passeios, use guia e peitoral ou coleira adequados, e mantenha o animal sob controle, principalmente em locais com tráfego de veículos.

Dentro de casa, proteja o cachorro de riscos domésticos: mantenha produtos de limpeza, remédios e fios elétricos fora do alcance, e cuide para que plantas tóxicas, como comigo-ninguém-pode, azaleia, lírio e espada-de-são-jorge, não fiquem ao alcance dele. Janelas e varandas devem ter telas de proteção.

Cuidados com cães idosos

Com o passar dos anos, o cachorro sofre mudanças naturais: perde massa muscular, fica mais sensível ao frio, pode ter artrose, diminuição da audição e da visão, e alterações cognitivas. Adapte a rotina: ofereça camas ortopédicas, rampas para subir em sofás ou carros, pisos antiderrapantes e passeios mais curtos e frequentes.

A alimentação deve ser revista, com rações para sêniores e suplementos articulares, se indicados. Mantenha a rotina de exames e mantenha o cão ativo na medida do possível, pois o movimento suave preserva a mobilidade e a qualidade de vida. Paciência e carinho fazem toda a diferença nessa fase.